Depois de conviver com a Gripe Espanhola, peste que assolou o mundo entre 1918 e 1920 e atingiu praticamente um quarto da população da época, e superar os 100 anos com saúde e lucidez, a última realidade com a qual Irma Hammel esperava deparar era mais uma pandemia.
Aos 106 anos, a porto-alegrense passou dois anos em isolamento, recebeu três doses de vacina e agora comemora o fato de poder celebrar seu aniversário novamente reunida com familiares e amigos, no início do mês.
Em 2020, logo nos primeiros dias da doença no Brasil, ela comemorou os 104 anos isolada em casa, mas com parabéns cantado por amigos em frente à janela. No ano seguinte, a festa foi ainda mais restrita, ao lado apenas de um dos filhos.
Se neste ano ela conseguiu reencontrar boa parte da família, para os festejos de 107 anos a expectativa é de que a Covid-19 tenha ficado no passado.
"Quero que seja um ano feliz para nós, que todos tenham oportunidade de viver. Porque por dois anos não se viveu. A gente pensou, mas não pôde viver. Eu fui muito feliz, porque passei por isso, e os meus sobreviveram. Não senti, mas tenho muita pena dos que não conseguiram passar ilesos", diz.
Durante a pandemia, a família de Irma aumentou: depois dos seis filhos, de netos e bisnetos, a idosa ganhou o seu primeiro trineto: Bernardo nasceu há um mês e meio, mas ainda não visitou a matriarca. A novidade, aos 106 anos, faz Irma pensar em sua trajetória.
"Nós passamos pela vida e aproveitamos aqueles bons momentos, mas também passamos por certos pedaços da vida em que não temos mais vontade. Hoje, passo por uma época muito boa, tenho tudo, nada me falta. Mas de repente falta alguma coisa, e a gente precisa saber enfrentar. Feliz daquele que tem a força e que consegue sobreviver", aponta.
'Ando meio preguiçosa'
A rotina durante o período de maior isolamento de Irma incluiu assistir a programas de TV e ler jornais. Agora, com mais visitas e a possibilidade de sair mais de casa, ela conseguiu até viajar.
"As coisas mudaram muito. Passei inclusive 15 dias na praia", celebra.
Entre os hobbies de Irma durante seus 106 anos, estiveram a dança e a direção — ela conta, inclusive, que foi uma das primeiras brasileiras a possuir carteira de habilitação. Hoje, diz que gosta de se manter informada sobre a situação mundo.
"Já gostei de tudo. Gostei de passear, de dançar, de viajar, fiz tudo que podia fazer. Me casei muito cedo, com 18 anos. Fui 60 anos casada. Fui uma das primeiras mulheres a tirar carteira de motorista. Gosto muito de ler, gosto de ler o jornal, para estar a par da situação. Mas, atualmente, ando meio preguiçosa", confessa Irma.
Ao lado da filha, de uma neta e de uma bisneta, Irma Hammel reuniu gerações da família na festa de 106 anos — Foto: Reprodução
Nenhum comentário:
Postar um comentário