Pais de estudantes de uma escola de Alvorada (RS), denunciaram um professor por suspeita de assédio sexual. A situação foi relatada ao Conselho Tutelar do município, responsável pelas por denunciar o caso ao Ministério Público e à Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc), que, na tarde desta-segunda-feira (25), afastou o docente "preventivamente".
Um perfil em uma rede social foi criado por pais e responsáveis de algumas vítimas para alertar sobre o fato. Várias alunas alegaram, nos comentários deste perfil, terem sido molestadas. A Polícia Civil já instaurou inquérito e, por enquanto, há duas ocorrências registradas, envolvendo duas adolescentes que tiveram de passar por avaliação psíquica após os traumas decorrentes do suposto assédio.
A Seduc avaliou nesta segunda o possível afastamento ou exoneração do docente e, em nota enviada, disse que "o professor foi afastado preventivamente de suas funções na escola enquanto a denúncia é apurada". O texto diz ainda que "a 28ª Coordenadoria Regional de Educação está em contato permanente com a equipe diretiva da escola para oferecer todo o suporte à comunidade escolar".
O nome da escola, do professor e dos pais não estão sendo divulgados para não expor as vítimas adolescentes, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
De acordo com as denúncias, os assédios estariam ocorrendo desde o início do ano e teriam se intensificado nos últimos meses. No perfil criado no Instagram para monitorar o caso e cobrar medidas das autoridades, havia mais de 400 comentários até as 14h desta segunda. A rede social também é usada como meio de orientar como proceder e denunciar em caso de ataques desse tipo.
A mãe de uma das estudantes, uma jovem de 14 anos, relata que o assédio estaria ocorrendo há seis meses, mas que em julho um novo fato motivou a denúncia.
— Ele beijou o pescoço dela e chamou ela de “gostosa”. Ela está muito nervosa. Registrei ocorrência, tivemos reunião com Conselho Tutelar, e apareceram mais denúncias. Agora, aguardamos o resultado da (avaliação com) psiquiatra — afirma.
A mãe da outra adolescente conta que o professor teria forçado abraços e beijos após uma crise de choro da jovem.
— Quero relatar que foram repetidas situações, sendo a mais marcante quando ela teve uma crise de choro e ele se aproximou para supostamente consolar ela, dando vários beijos no rosto. Ela tentou afastar ele, mas ele forçou, segurando e apertando os braços dela sobre o corpo dele — conta.
Coordenadora do Conselho Tutelar em Alvorada, Fernanda Maciel diz que foi procurada por um grupo de mães, que relataram supostos comportamentos suspeitos do professor como abraçar e beijar alunas com insistência, forçar situações constrangedoras, além de chamá-las por adjetivos de cunho machista.
Segundo Fernanda, esse grupo procurou inicialmente a direção da escola, mas, mesmo com as reclamações, a única providência adotada teria sido a troca de turno do professor. Mesmo assim, ele permanecia no ambiente escolar, o que teria levado a novas denúncias, incluindo suposta coação das vítimas para que não fizessem mais reclamações.
Segundo o Conselho Tutelar, as mães e pais ou responsáveis estão sendo orientados a conversar com seus filhos para tentar identificar alguma situação atípica, e, se for o caso, denunciar.
— Recebi as denúncias e como houve demora para providências, procuramos Ministério Público e orientamos pais a registrarem ocorrência policial. Mas acionamos também a Secretaria (da Educação) — diz Fernanda.
Avaliação psíquica
A titular da Delegacia da Mulher de Alvorada, delegada Samieh Saleh, confirma as duas ocorrências e a investigação em andamento. Alunas e seus responsáveis já foram ouvidos. O professor será acionado e é aguardado o resultado pericial após duas adolescentes terem passado por avaliação psíquica em busca de indícios de assédio.
— Temos estes dois casos, mas não descartamos mais. Por isso, quem tem algum fato relacionado, que nos procure — ressalta Samieh.
A polícia não tem prazo para conclusão do inquérito.
Como denunciar
Para denunciar casos como este, há os seguintes canais:
O Disque 100 é um dos canais de denúncia da Mulher, Família e dos Direitos Humanos. É um serviço de proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Ele funciona diariamente, das 8h às 22h.
A Polícia Civil do Estado tem ainda o telefone com WhatsApp - 051 - 984440606. Também há o telefone 181.
Fonte: GZH
https://gauchazh.clicrbs.com.br/seguranca/noticia/2022/07/pais-de-estudantes-denunciam-professor-suspeito-de-assedio-sexual-em-escola-de-alvorada-cl613bv8x001r016vdcwh4yhe.html

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